Lapinha da Serra - MG - Junho/2010

domingo, 11 de abril de 2010

Diversão! É solução sim! Diversão! É solução pra mim!!!!!

Por acaso você já viu uma taça de vinho dizendo que vai te ligar no outro dia, e não liga?
Ou uma dose de tequila dizendo que é jovem demais pra se envolver?
Ou uma latinha de cerveja pedindo um tempo pra decidir se realmente é aquilo mesmo que quer?
Ou ainda uma garrafa de smirnoff dizendo que você é a pessoa certa na hora errada?
Por acaso uma garrafa de vodka já beijou alguém na tua frente?
Ou então você já levou chifre de um litro de whisky?

Não né?

Francamente... Vamo beber, porque amar tá FODA!


Muito boa essa!!! Eu precisava compartilhar!

sábado, 10 de abril de 2010

Um pouco de doçura...




Marinópolis - MG
Foto: Alecsandra Cunha - Jan/2010
 
"Não importa onde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível e necessário 'recomeçar'.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e, o mais importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito neste período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza de alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou em tudo que estava perdido?
Era o início de sua melhora...
Onde você quer chegar?
Ir alto?
Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor...
Se pensamos pequeno...
Coisas pequenas teremos...
Mas se desejarmos fortemente o melhor e
Principalmente lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo.
E não do tamanho da minha altura."

(Carlos Drumond de Andrade)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

NOTA DE ESCLARECIMENTO DE MORADORES DE FAVELAS DE NITERÓI


Durante as chuvas no Estado do Rio de Janeiro, uma grande tragédia se abateu sobre a população que vive em favelas nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói. Logo em seguida, o governo do Estado responsabilizou a mudança climática e culpou as próprias vítimas, os moradores das áreas carentes, pela tragédia.
Nada mais sordido e agressivo do que ter que ouvir dos responsáveis pela administração e políticas públicas do Estado, que faturam com os royates de petróleo, que gerenciam o Estado capitalista, essa acusação. Obviamente, as autoridades governamentais já estão fazendo  da tragédia  uma grande oportunidade de negócio, a começar por fundamentar e impor a limpeza social, ou seja deletar os pobres, das áreas promissoras para a especulação financeira.

Estamos todos solidarios e empenhados com todo o movimento social em dar voz ao nosso povo e denunciar mais essa postura criminosa desse governo estadual. Nesse sentido, abaixo  reproduzimos a Nota de esclarecimento dos moradores de favelas de Niterói.


Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino RJ

Nota de esclarecimento
Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público.  A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas.  As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.
Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.
 Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.
 Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momento em que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que é perder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.
 Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossa dor, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas.
Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.
 
Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói
Associação de Moradores do Morro do Estado
Associação de Moradores do Morro da Chácara
SINDSPREV/RJ
SEPE – Niterói
SINTUFF
DCE-UFF
Mandato do vereador Renatinho (PSOL)
Mandato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL)
Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK)
Movimento Direito pra Quem
Coletivo do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares

Palavras minhas: espero que os leitores entendam que não tenho a intenção de espetacularizar essa tragédia como faz a grande mídia, mas sim, mostrar aqui as versões de quem realmente foi assolado pela tragédia. Sabemos que passado esse período, tudo será esquecido e os cidadãos serão obrigados à voltarem as suas vidas 'normais' - nunca mais as mesmas. Uma coisa é certa, dependeria da população se organizar na tentativa de cobrança das autoridades no sentido de evitar tais problemas, mas sabemos também que essa mesma população é impedida dessas ações quando é desprovida de educação e informação. Isso é estrategicamente delineado pelo poder público, quanto menos educação e informação, menores as chances de organização na busca de menor desigualdade socioeconômicas, culturais, políticas, espaciais e etc e etc.

Alecsandra Cunha
Geógrafa

Seminário Cláudio Peres

Acontece na Puc-Minas Unidade Coração Eucarístico anualmente o Seminário Cláudio Peres de Prática de Ensino e Geografia Aplicada. Tem por objetivo a discussão de temas relevantes para o meio acadêmico, assim como para a sociedade. A temática central de 2010 é ESPAÇO, CULTURA E IDENTIDADES: TRAJETÓRIAS GEOGRÁFICAS, no eixo da Geografia Cultural. Para mais informações acesse:

http://www.pucminas.br/noticias/noticia.php?area=2&codigo=4125&pagina=4

A Conquista do Pão - Pedro Kropotkin

A humanidade andou bastante desde o tempo em que a pedra lascada lhe servia para fabricar a suas armas, para lutar desesperadamente pela existência. Esse período durou milhares e milhares de anos durante os quais o gênero humano acumulou tesouros incomensuráveis. Desbravou o solo, aterrou pântanos, devastou florestas, abriu estradas, edificou, construiu e raciocinou; arranjou utensílios complicados, arrancou à Natureza os seus arcanos, aprisionou o vapor. Hoje o homem civilizado já ao nascer encontra um capital imenso, acumulado pelos seus antepassados, com o qual, só com o trabalho, combinado com o alheio, obtém riquezas que deixam a perder de vista os sonhos orientais das Mil e uma Noites.
Parte do solo está pronto para colher o trabalho do lavrador inteligente e as sementes escolhidas, e enfeitar-se com colheitas deslumbrantes, mais do que o preciso para satisfazer todas as necessidades do homem, pelos meios conhecidos da agricultura.
No solo virgem dos prados da América, cem homens, munidos de máquinas valentes, produzem em poucos meses o trigo necessário para o sustento de dez mil pessoas durante um ano inteiro. Quando o homem quer multiplicar o seu rendimento, prepara o solo, da às plantações cuidados que lhes convém e obtém colheitas prodigiosas. E onde o selvagem tinha de ocupar cem quilômetros quadrados para sustentar a sua família, o civilizado cria com incomparavelmente menos trabalho e mais segurança, tudo quanto precisa para sustentar os seus na décima milésima parte desse espaço.
O clima já não é um obstáculo. Falta o sol? O homem substitui-o pelo calor artificial, enquanto não faz também a luz para ativar a vegetação. Com vidro e condutores d’água quente, recolhe num espaço determinado dez vezes maior produção do que dantes.
Os prodígios efetuados na indústria ainda são mais frisantes. Com esses seres inteligentes – as máquinas modernas – fruto de três ou quatro gerações de inventores, na maior parte desconhecidos, - cem homens produzem com que vestir dez mil homens no espaço de dois anos. Nas minas de carvão bem organizadas,
cem homens tiram cada ano com que aquecer dez mil famílias, sob um clima rigoroso. E viu-se já uma cidade maravilhosa surgir toda inteira em poucos meses no Campo de Marte, sem haver a menor interrupção nos trabalhos normais da nação francesa.
E se o trabalho dos nossos maiores não aproveita senão sobre tudo ao menor número, é todavia certo que a humanidade podia já permitir-se uma existência de riqueza e de luxo, só com os trabalhadores de ferro e de aço que possui.
Sim, sem dúvida, somos ricos, infinitamente mais ricos do que julgamos. Ricos pelo que já possuímos; ainda mais ricos pelo que podemos produzir com o material conhecido. Infinitamente mais ricos pelo que poderíamos retirar do solo, das manufaturas, da nossa ciência e do nosso saber técnico, se fossem aplicados
a procurar o bem estar de todos.

Trecho retirado do livro: "A Conquista do Pão de Pedro Kropotkin"

A partir deste texto introdutório, Kropotkin desenvolve uma linha de pensamento revolucionário, o livro foi escrito no final do séc. XIX em Paris, tendo seu prefácio escrito nada menos por Élisée Reclus. É uma leitura interessante e, no mínimo, avassaladora.

RECOMENDO ESSE LIVRO.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Chuvas no Rio de Janeiro

Ao receber essas notícias das chuvas na Região Metropolitana do Rio e tentar ter noção de toda a tragédia, penso: onde estão os programas de Reforma Agrária no país, onde está a divisão de terras no campo que foi prometida em campanha do Lula? Até quando teremos que conviver com essas situações? Defendo a reforma agrária neste momento por acreditar que ela seria capaz de conter grande parte da população do campo que potencializa o fluxo do êxodo rural que enche os grandes centros, e, tem como uma de suas consequências a ocupação de morros e áreas de risco, por pura falta de opção daquelas pessoas. A geografia e geologia da RMRJ é clara, formada por embasamentos cristalinos e grandes pacotes pedológicos, que se encharcam facilmente com as águas das chuvas, não tem estrutura para aguentar o volume pluviométrico que se apresenta nos últimos dias na região, isso é um fenômeno natural, aconteceria de qualquer forma; o que não é natural é a ocupação dessas encostas por uma população de baixa renda que não possui condições dignas de moradia. Se penduram casas umas sobre as outras em lugares que jamais poderiam ser ocupados, nem mesmo seus entornos, mas o que fazer? É na verdade, uma consequência das tradicionais raízes agrárias brasileiras no âmbito de suas distorções socioeconômicas, segregações socioespaciais. assim como as opções poliíticas que constroem e reconstroem o espaço brasileiro, fazendo dele uma máquina de reprodução do capital sem se atentar para as consequências de tais opções políticas.

terça-feira, 30 de março de 2010

DESCASO: Homem morre após receber alta do Ipsemg e família denuncia negligência

30/03/2010 08h15
FERNANDA PENNA
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O porteiro Aguimaé Vieira da Silva de 44 anos morreu na manhã desta terça-feira (30), em casa, no bairro Tupi, região Norte de Belo Horizonte, depois de receber alta do Hospital Israel Pinheiro, do Instituto da Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), na noite passada. A denúncia foi feita pela família com exclusividade ao portal O Tempo on line.
Os familiares queixam de atendimento deficiente, já que os médicos do Ipsemg começaram uma greve de três dias, e denunciam negligência à vítima, que sofria de problemas cardíacos e pressão alta. Segundo a família, ele passou pela triagem, mas recebeu informação da equipe de enfermagem que somente os casos de emergência, em que havia risco de morte, seriam atendidos. O paciente foi medicado ainda no corredor do hospital e em seguida liberado.
Revoltada com a situação, a mulher da vítima, Rosa de Jesus Souza Silva, contou que a busca por atendimento teve início na última quarta-feira, mas segundo ela, foi negado. Nessa segunda-feira, o casal retornou ao hospital e o homem foi atendido ainda no corredor da unidade. "A pressão dele estava muito alta e eu pedi para os médicos que não o liberasse, mas eles disseram que ele já estava bom até para trabalhar e recebeu alta".
Na manhã desta terça-feira, o paciente voltou a sentir fortes dores no peito e não resistiu. Segundo a mulher, "é muito estranho que tenham mandado um doente naquelas circunstâncias para casa, quando nem tinha capacidade para andar sozinho". Uma ambulância do Samu foi acionada ao local, mas quando o resgate chegou, o homem já estava morto.
A assessoria de comunicação do Ipsemg foi procurada e informou que vai checar as informações para se manifestar sobre o assunto.
Greve
Nessa segunda-feira, os médicos começaram uma greve de três dias. A categoria negocia com a direção do instituto o aumento dos salários e melhores condições de trabalho.
Na semana passada, o caos já havia se instalado na unidade, após uma paralisação de um dia (na quinta-feira) de 70% dos 4.600 servidores do Ipsemg em todo o Estado. As manifestações, tanto de médicos quanto dos demais servidores, se justificam - segundo argumento de ambas as categorias - pelo "sucateamento" dos serviços.
Desde o dia 20 de março, todas as cirurgias eletivas agendadas no Israel Pinheiro foram suspensas, e a oferta de leitos caiu para menos da metade (de 290 para 141). A reportagem de O TEMPO relatou inúmeras denúncias de casos de servidores conveniados que viajaram por horas até a capital e voltaram para casa sem serem atendidos.
A paralisação dos médicos está sendo anunciada desde a semana passada. A categoria promete suspender até quarta-feira as consultas e os atendimentos. Entre as reivindicações dos grevistas estão a realização de concurso público para preenchimento de novas vagas, reajuste salarial e melhores condições de trabalho.


FONTE:    http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=76532


Gasta-se uma quantia quase imensurável para a construção espetacular de uma cidade administrativa e deixa-se a saúde pública em total descaso.

Comentarei mais sobre isso.

terça-feira, 23 de março de 2010

Senso Crítico

Não se deve aceitar sem mais os termos usuais de um problema, escreveu em 1935 um conhecido filósofo. A atitude crítica implica aqui em repropor, recriar a interregoção, pois não há pergunta que resida em nós e uma resposta que esteja nas coisas: a solução está também em nós e o problema reside também nas coisas. Há algo da natureza da interrogação que se transfere para a resposta.

José William Vesentini na Apresentação do célebre livro de Yves Lacoste: A Geografia - Isso Serve, Em Primeiro Lugar, Para Fazer A Guerra.

Recomendo esse livro.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Centro Administrativo Tancredo Neves

Fernando Serapião - Especial para a Folha
Na gravura "O quarto do arquiteto", de Lina Bo Bardi, a arquiteta do Masp criou uma cena com armário entreaberto, mesa com cadeira e uma prateleira. Os personagens são maquetes de edifícios em diferentes estilos. Uma possível interpretação irônica da obra é que os arquitetos possuem soluções guardadas nas gavetas e as utilizam conforme a necessidade. Lembro-me disso diante da nova obra de Oscar Niemeyer.
A Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves é composta por cinco edifícios, encomendados pelo governador Aécio Neves para reunir no extremo norte de Belo Horizonte mais de 40 órgãos estaduais. São três motivos alegados: induzir o desenvolvimento da região, diminuir despesas (principalmente aluguéis) e facilitar a gestão com a convivência entre funcionários. À primeira vista, principalmente se observado por dentro, tudo é uma maravilha: os móveis são novos, os equipamentos, sofisticados, e os espaços, confortáveis -como nas melhores empresas privadas.
Contudo, do ponto de vista arquitetônico não há novidade. O prédio mais imponente abriga o gabinete do governador. É um edifício envidraçado de quatro andares que fica pendurado por estrutura externa. Com  mais graça, tal solução foi utilizada por Niemeyer há 4 anos para uma editora na Itália.
Louvando o novo prédio, o arquiteto e o calculista afirmam que ele é "o maior edifício suspenso do mundo". E daí? Eles se vangloriam como se o ineditismo técnico fosse de suma importância para o futuro da humanidade.
Gastando energia em retórica desgastada, Niemeyer deixa de lado questões atuais como a eficiência energética - o complexo tem a maior área de vidros da América latina. Fachadas envidraçadas voltadas para as faces ensolaradas, por exemplo, é um erro primário que exigirá mais energia do ar-condicionado. Os dois edifícios maiores são destinados às secretarias. Gêmeos, eles são gigantescos e curvos - e também foram retirados das 'gavetas' do arquiteto. Eles têm proporção semelhante de um hotel em Petrópolis, desenhado em 1950. Por fim, além de um auditório pouco gracioso, o conjunto é completo por um centro de convivência, com restaurantes e lojas, que pretende substituir a rua - o espaço primordial de convivência urbana. E é justamente aí que está o maior problema. Se a arquitetura é requentada, a ideia de pensar em centro administrativo longínquo é tão nova quanto o bonde. Urbanisticamente, é um desastre. O governo deveria permoanecer na região central, renovando edifícios subutilizados e incrementando a vida urbana. ao deixar os edifícios da Liberdade para atividades culturais, serão empobrecidos o uso e a diversidade local.
Se na era da revolução das telecomunicações é estranho falar da necessidade do contato físico, para ajudar a desenvolver a periferia seria mais útil financiar transporte coletivo de massa. Claro, daria mais trabalho e menor visibilidade.
Infelizmente, há 50 anos os políticos acreditam na mística de perpetuar-se com um postal de Niemeyer a fim de repetir a trajetória daquele que encomendou Pampulha e Brasília (raríssimos são os que apostam na capacidade arquitetônica de sua própria geração). Aécio Neves cometeu o mesmo erro: mirando o futuro, ele acertou no passado.
FERNANDO SERAPIÃO é arquiteto e editor executivo da revista "Projeto Design".
 E aí está o projeto do Centro Administrativo Tancredo Neves, que foi inaugurado no dia 04 de março de 2010. Uma obra faraônica, que despendeu uma verba fenomenal, enquanto os milhares de moradores de rua de BH continuam exatamente 'nas ruas', pois não existem verbas para abrigar de maneira digna essa população. Ainda existe a questão da especulção imobiliária, a região que era tratada como periferia e ocupada por cidadãos de baixa renda, está vendo seu espaço ser reorganizado e ressignificado, enquanto tais moradoes são expulsos para locais ainda mais longe do centro de BH, de seus empregos, escolas e etc.

Síntese - Gênese e Evolução do Relevo Cárstico

O relevo cárstico ocorre predominantemente em terrenos constituídos de rocha calcária, mas também pode ocorrer em outros tipos de rochas carbonáticas, como o mármore e rochas dolomíticas. É um tipo de relevo caracterizado pela dissolução química das rochas, que leva ao aparecimento de uma série de características físicas.
Uma das principais características do Carste é a ausência de drenagem superficial, as características da rocha fazem com que toda a água da chuva seja absorvida. No carste a água de chuva infiltra-se do solo para a rocha com muita rapidez, sendo que o escoamento sobre o solo ou dentro do solo são restritos e sem muita importância, por isso é raro encontrar rios superficiais no carste. A não ser que a região seja de calcário impuro ou se ocorrer a entrada de águas drenadas em regiões não cársticas. A vegetação exerce importante influência na infiltração da água, além do clima que precisa ser de úmido a temperado.
Podemos distinguir o carste em exocarste, (representados principalmente pelas dolinas, paredões e vales) e endocarste, representado principalmente pelas cavernas.




Exocarste - APA Lagoa Santa - MG - 2007



Endocarste - Gruta da Lapinha -
APA Lagoa Santa - MG - 2007
A formação e evolução do relevo Cárstico se dá através da infiltração da água da chuva nas fraturas e camadas das rochas, chamadas zonas de acamamento. Em contato com o carbono existente nas rochas deste tipo de relevo, a água se torna mais ácida sendo assim capaz de esculpir as suas formas, devido à porosidade secundária, formada por juntas, fraturas e cavernas.
A formação de um exocarste se dá na medida em que a água infiltra, entra em contato com o carbono e dissolve a rocha, formando grandes fendas na estrutura calcária interna, dessa forma acontecem os abatimentos da estrutura superior formando as dolinas, que são depressões fechadas, tendo várias formas em sua abertura, podendo variar de poucos centímetros a dezenas de metros, em geral, mais largas que profundas. Quanto a sua gênese, podem ser: por dissolução (subsidência) – quando as rochas carbonáticas sofrem, na superfície, corrosão e dissolução por águas ácidas provocando a formação de depressões normalmente mais larga que profunda. Em alguns casos, um percurso de água se forma para a profundidade, chamando-se, então, de dolinas aluviais; e ainda pode se formar por colapso ou abatimento – quando devido a presença de uma cavidade mais profunda, ocorre o desabamento de seu teto, surgindo uma depressão na superfície, que pode ou não, se comunicar com o interior da cavidade.
Essas dolinas evoluem cada vez mais, concomitantemente ao processo de dissolução das rochas calcárias em camadas abaixo delas. Com a evolução das dolinas se tornando cada vez maiores, acabam por se formar as uvalas que são na verdade um ajuntamento de dolinas, a união de várias dolinas.
Em decorrência da evolução das uvalas dá-se o início do processo de formação dos morros residuais. As uvalas aumentam de tamanho, o material da superfície e de profundidade são carreados e começam a formar planícies com presença de morros residuais, resultantes de parte das rochas que não foram dissolvidas durante todo o processo de dissolução química.
As planícies cársticas ou Poliês, fazem parte da fase final de evolução do relevo exocarste, após todo o processo de dissolução química, formação de dolinas, uvalas e morros residuais formam-se enormes depressões fechadas no nível de base, por vez atingindo vários quilômetros, que quando inundados formam uma lagoa cárstica.
São delimitados normalmente por maciços, paredes abruptas com fundo plano, freqüentemente impermeável, extensões de rochas calcárias e mistas, onde diversas formações são notadas – torres, estrias verticais, arcos, lapiás ou anfiteatros cársticos (quando a água dissolve sua base formando uma concavidade até túneis ou passagens) etc. Os lapiás compreendem um vasto conjunto de feições mistas, incluindo estruturas em depressão (feições reentrantes) e estruturas em relevo (feições remanescentes), e, conforme seu aspecto morfológico, recebe inúmeras denominações: canaletas, canelura, meandro, furo, poço, pegada, marmita, cortina, alveolar, celular, agulhas, lâminas, cálices e outros, podendo ser encontradas na superfície como nos espaços subterrâneos.
Os Poliês podem apresentar vales secos formados por ação da água, porém, depois se tornam secos por ausência desta, como a falta de chuva ou abaixamento de fluxo d’água. Os vales cegos, que são vales fechados onde a água penetra no solo por sumidouros, desaparecimento da água na qual a perda pode ser total ou parcial. Muitos cursos d’água possuem sumidouros no fundo do canal que vão gradativamente absorvendo o volume do rio. E ainda os Cannyons, que são vales onde o rio corre encaixado. Podem ser explicados por erosão fluvial, corrosão ou desabamento de teto de cavernas.





 Lagoa do Sumidouro - Origem Cárstica - APA Carste Lagoa Santa - 2007.



Texto escrito por Alecsandra Santos da Cunha - Geógrafa - baseado em aulas de campo e leituras diversas.