Lapinha da Serra - MG - Junho/2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quem lucra com o pânico?



É pouco provável que nós, sociedade, imprensa, partidos e outros entes saibamos, de verdade, as causas dos ataques perpretados na capital do RJ.

É pouco provável que exista uma só causa, pois um tema tão complexo como a violência e a criminalidade não podem ser resumidos a três ou quatro frases de manchetes ou 2 minutos de editoriais televisivos.

Mas cada parte da sociedade, a seu modo, e devido a seus interesses, vai procurar respostas, que quase sempre serão incompletas, quando não totalmente equivocadas. Aqui, na questão da segurança pública, o melhor é saber fazer as perguntas certas.

Quem sabe assim possamos escapar a lógica que nos domina há tempos, de procurar "culpados", ou "inimigos números 1", para encaixar a perspectiva que apenas serve para manipular a opinião pública, e cumprir os desígnios obscuros de algumas agendas políticas.

Não se trata de síndrome da conspiração, ou de reeditar o "roteiro tropa de elite 2".

Mas se há uma virtude no olhar arbitrário(atenção: isso não é uma crítica do filme) do diretor em relação a temática: polícia-crime-sociedade, foi lançar luz sobre a zona cinzenta dos poderes e como a sociedade legitima práticas que depois se voltam contra ela mesma.

Esse é o caso que assistimos na tela da vida real. É possível que aja uma coordenação de ações de reação de criminosos a política de segurança pública do governador? Sim, é possível, mas pouco provável. Primeiro, é preciso desmontar o mito de que tráfico de drogas, EM SUA ESCALA DE VAREJO (bocas nos morros), é crime organizado.

Não é, nem nunca foi até agora. Pode ter certo domínio territorial, as "bocas" funcionam com certa hierarquização e divisão de tarefas, e assédio das forças policiais com a corrupção, o popular "arrego".

Mas nada que permita encaixar esses eventos na estrutura de crime organizado, com infiltração no aparato estatal, nos eixos decisórios, como fizeram o Jogo do Bicho, a máfia dos caça-níqueis e agora, as milícias.

O nível de organização do tráfico se restringe a sua esfera "atacadista". Lá não há disputas, o sangue não transborda das telas e jornais, nem choca a opinião pública. Onde há guerra, não há estabilidade e organização.

O tráfico não se organiza porque ainda não se legitimou como atividade paralegal, como fizeram os bicheiros nas Escolas de Samba, clubes de futebol, etc, e as milícias nas esferas de poder parlamentar e executivo, com sua escalada eleitoral e política.

Na verdade, historicamente, quem "organizou" o tráfico foram as polícias, imprensa e sociedade.

A polícia porque não dava conta de combater o problema em onde era necessário (lavagem de dinheiro, tráfico de armas e redes internacionais de distribuição atacadista), e por isso superdimensionou "o inimigo local", o gerente e dono do morro, que passaram assim, a serem "maiores" do que eram. Era preciso pescar sardinha, e falar que pescou tubarão.

A imprensa pelos motivos óbvios: sensacionalismo, e disseminar o pânico na classe média para reverberar preconceitos e chancelar o extermínio e a violência policial. Enquanto "gente de bem", dos degraus mais altos do jetset, banqueiros, comerciantes de artes, carros de luxo, advogados, etc, e todos os ramos ligados a lavagem de dinheiro passavam longe das páginas policiais.

E a sociedade para corroborar suas escolhas políticas representadas nos seus governantes eleitos, que respondiam seus "anseios" combatendo a violência com mais e mais violência.

Assim, criamos o mito moderno do supervilão da favela.

No entanto, a prova disso, de que não há organização nas redes de varejo de drogas é a "guerra" que travam entre si para demarcar seus pontos de venda.

Essa etapa já foi superada há tempos pelas atividades que descrevemos como organizadas (jogo do bicho, maquininhas, transporte pirata e por último, as milícias), e que lhes permitem centrar fogo na sua atividade-fim, salvo os períodos de sucessão e de redivisão de territórios, provocados por morte/prisão dos "capo famiglias", como vemos há pouco tempo no Rio.

Sendo assim, é pouco provável que traficantes "gastem" tempo e dinheiro para atrair a atenção da polícia, a ira e a sede de sangue da classe média, o "apetite" do governo em demosntrar que "não tolera" afronta com repressão violenta, quando nada ou pouco tem a ganhar com tais ações terroristas.

A definição clássica de terrorismo é apropriada para definir os eventos: Uso de dano ou lesão a pessoas/patrimônio, sem que estejam relacionadas com os agressores, e sem resultado patrimonial ou qualquer ganho logístico(território, armas, etc), com intenção de disseminar pânico e desafiar a ordem estatal.

Traficantes do RJ, depois de vários anos, já demonstraram que raras vezes recorreram a tais métodos para "tocar suas empresas", muito embora sempre estivessem associados a outros ataques ocorridos.

Hoje, a política de UPPs é um importante agente regulador do mercado de drogas ilícitas no RJ. Se a venda cai, é verdade, também caiu o risco de invasão "inimiga", o que libera parte do "capital" empregado na compra de armas, e diminui a necessidade de mão-de-obra para "contenção".

Eu já me referi a esse fato há muito tempo, desde o início da implantação dessas Unidades de "Propaganda" Pacificadora, e dias desses um colunista do JB online concordou, e foi copiado por uma página eletrônica de um jornal local.

Mas voltemos a pergunta inicial: Quem lucra com o pânico?

Há quem sempre deseje desestabilizar secretários de segurança, fato corriqueiro em transição de governos, ainda que este tenha sido reeleito.

Mas há outros setores que lucram DEMAIS com a indústria de (in)segurança pública:

Os setores que vendem armas, carros e todo o tipo de material e serviços para órgãos públicos, que já estão de olho na recolocação de seus aliados em postos-chave, tendo em vista que o "grosso" dos contratos serão celebrados em 2011 e 2012, com vistas a Copa de 2014.

Por fim, não é demais lembrar: No PAN 2007, de acordo com investigações da CPI das milícias da ALERJ, essas "organizações" cresceram no entorno das instalações pan-olímpicas e nos seus corredores de transporte, e pelo jeito com que foram tratadas pelo então secretário de segurança (Marcelo Itagiba)que foi o deputado eleito em 2006 que, justamente, distribuiu sua votação nesses redutos e teve 18,6% dos votos concentrados em Rio das Pedras (ver Carta Capital, coluna Maurício Dias, dessa semana), esse fato não foi mera coincidência.

Como agora as milícias se transformaram em um estorvo, pode ser que os "argumentos" para forçar mudanças de "rumo", e incremento do "combate ao terror" tenham "se incendiado" novamente.

Afinal, quem mais lucraria com o pânico, senão quem o disseminasse para oferecer proteção?
Fonte: texto recebido por e-mail sem assinatura de autoria.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vento Norte: a fúria de Bóreas



A alcunha “setentrional” – termo sinônimo para coisas relativas ao norte – vem da mitologia romana. Setentrião é o Titã latino equivalente ao grego Bóreas, que representava o vento bravio que vinha do norte. Bóreas era freqüentemente descrito como muito forte, de temperamento bravio; um homem velho, alado, com cabelos longos e revoltos, segurando uma concha e vestindo uma capa.
Essa mitologia remete qualquer santa-mariense a um mesmo fenômeno climático: o Vento Norte. É aqui na cidade que existem as condições ideais para a formação do vento. Para começar, a localização geográfica. Santa Maria está na depressão topográfica que corta o centro do Rio Grande do Sul de leste a oeste, do litoral à fronteira. Ao norte, a escarpa do Planalto da Bacia do Paraná, ou seja, a “serra” que sobe até Itaara. A influência do relevo na formação do Vento Norte acontece da seguinte maneira: em determinadas condições climáticas – o choque entre uma massa de ar de origem polar e uma tropical, por exemplo – cria uma turbulência na atmosfera que, por conseqüência, gera o Vento. Esse vento sopra de norte para sul, do norte do estado em direção a Santa Maria. Conforme a altitude do terreno vai baixando, o Vento ganha velocidade por força gravitacional. Ao encontrar a borda escarpada do Planalto, o Vento Norte passa por uma turbulência ou, em outras palavras, desordena-se com as colisões contra os morros da “serra”. Ao passo que vai adentrando na zona urbana de Santa Maria, a massa de ar encontra em seu caminho ainda as barreiras artificiais – as construções da cidade – com as quais vai colidir e ganhar ainda mais velocidade. E, portanto, aborrecer (ou não) a vida de qualquer um que cruzar o caminho do vento de temperamento bravio.
As lendas – ou mitologias – criadas sob o estímulo do Vento Norte não são menores que seu poder devastador. Há quem diga que o odeia, existe também quem o aprecia; ninguém, entretanto, é indiferente. O folclore ou, novamente, a mitologia gerada no inconsciente popular de que as forças de Bóreas operam não só ao fazer ressoarem as frinchas dos galpões, mas também no humor e na lucidez das pessoas foi um dos agentes suscitadores da pesquisa de que trata a presente reportagem.
O temperamento violento de Bóreas parece tomar conta dos santa-marienses simplesmente ao soprar do Vento Norte na cidade. Segundo a professora aposentada Maria da Graça Barros Sartori, cerca de 70% das pessoas que entram em contato com o forte vento apresentam alterações de humor. A irritação causada pelo fenômeno potencializa, portanto, comportamentos violentos. Conforme o estudo realizado pela professora e os alunos João Paulo Gobo, Gabriela Portes, Felipe Monteblanco e Denis Moraes, entre 2001 e 2007, a ocorrência de violência doméstica teve uma elevação de 30% durante o período de incidência do Vento Norte.

No ano de 1997, Maria da Graça escolheu um dia de Vento Norte – com rajadas de aproximadamente 100 km/h – para fazer uma pesquisa no colégio Coronel Pilar. Distribuiu planilhas entre os professores para que estes anotassem as alterações de comportamento dos alunos. Pôde ser notada, então, uma baixa na capacidade de concentração dos alunos e, em contrapartida, a agitação entre eles aumentou.
Tal como na escola, a professora percorreu mais de mil quilômetros entre zona urbana e rural entrevistando pessoas sobre os efeitos que o Vento Norte causava nelas. Percebeu-se, pois, que os resultados não eram diferentes. As pessoas entrevistadas, além de se declararem irritadas com o vento, também tinham queixas de problemas físicos trazidos pelo fenômeno. Dessa forma, ficou claro que o Vento Norte causa alterações psico-físiológicas.
Tendo conhecimento disso, Maria da Graça entrou em contato com um médico homeopata – que fora escolhido pelo fato de pessoas envolvidas com a homeopatia acreditarem na interferência que o meio em que vivemos exerce em nossa saúde. Passou então a coletar dados sobre a pressão arterial dos pacientes e descobriu que em dias de Vento Norte havia uma alteração na pressão dessas pessoas. Contudo, não havia um padrão. O resultado de cada paciente tinha suas peculiaridades: a pressão podia ficar mais alta ou mais baixa. O que, segundo a professora, mostra que cada pessoa é diferente e reage de maneira única ao fenômeno.
A despeito da distância com a mitologia grega ou romana, o Vento Norte santa-mariense herdou de Bóreas a fúria. Ao rebojar no pé da serra, o Vento virou entidade, ganhou personalidade e faz parte da fantasia mitológica da Boca do Monte.
Repórter: Gregório Mascarenhas – glm_2311@hotmail.com
Professor responsável: Rondon de Castro – rondon@smail.ufsm.br
3º semestre
5/7/2010 

Fonte: http://w3.ufsm.br/infocampus/?p=1472

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Escola do MST tem excelente nota no ENEM em Santa Catarina



Na Escola Semente da Conquista, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. A escola é dirigida por militantes do MST e professores indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1418 famílias, morando em 23 assentamentos.

A escola foi destaque no Exame Nacional do Ensino médio (Enem) de 2009, divulgado na pagina oficial do Enem. Ocupou a primeira posição no município, com uma nota de 505,69. Para muitos, esses dados não são mais do que um conjunto de números que indicam certo resultado, mas para nós, que vivemos neste espaço social, é uma grande conquista.

No entanto, essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação.

A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e do êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são direcionados para uma pequena elite. Mais de 100 filhos de assentados estudam na Escola. Espaços culturais são direitos universais, mas que são realidade para poucos.

E mesmo com todas as dificuldades a Escola Semente da Conquista foi destaque entre as escolas do Município. Este fato não é apenas mérito dos educandos, mas sim de uma proposta pedagógica do MST, que tem na sua essência a formação de novos homens e mulheres, sujeitos do seu processo histórico em construção e em constante aprendizado.

fonte : Diario da Classe Intersindical

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Calem a boca nordestinos

José Barbosa Junior

A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra... outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos "amigos" Houaiss e Aurélio) do nosso país.
E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...

Ah! Nordestinos...

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!
Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

Metade de minha familia é do nordeste. Para ser mais especifico, de Recife, Pernambuco. Povo sofrido, esquecido propositadamente pelos politicos do sul e sudeste, que transformam a região em curral eleitoral. Mas o sofrimento não tira do nordestino o principal: seu CARÁTER e sua MORAL. Povo inteligentissimo e firme em suas convicções, e, apesar de todas as dificuldades não esmorece. De minha familia tenho advogados, agronomos, fiscais da receita federal e de alfândega, diretores de estatais, comerciantes, doutores, e a lista vai longa.

Infelizmente o racismo ou o regionalismo aparece quando o incompetente, o mediocre e sem talento, vê ameaçado o seu "mundinho" por alguem que ele considera como "nada" devido a sua arrogância e comodismo - "pobre menino[a] rico do sul - depende totalmente do papai e da mamãe".

Que o Senhor Jesus continue abençoando o povo nordestino e também do norte do país, para que produza cada vez mais frutos que movam a sociedade e a cultura desta nação!



Palavras minhas: aliás, sem palavra nenhuma!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

INCÊNDIO NAS TORRES GÊMEAS E O ABUSO DA POLÍCIA MILITAR


COMUNICADO À IMPRENSA E À SOCIEDADE

       Ontem,dia 20 de setembro de 2010, segunda-feira, às 19:00h, ocorreu um pequeno incêndio de um dos apartamentos das Torres Gêmeas, ocupação organizada há mais de 15 anos que abriga 168 famílias sem-teto, no bairro Santa Tereza em Belo Horizonte, MG. Felizmente o incêndio causou apenas pequenos ferimentos e algumas pessoas foram levadas para o hospital com intoxicação devido à inalação de fumaça. A Defesa Civil, os Bombeiros e a Polícia Militar de Minas Gerais desocuparam um dos prédios devido às operações de segurança. O incêndio foi pequeno e não causou dano algum aos outros apartamentos e tão pouco modificou o estado do prédio.
        Contudo, após evacuar o prédio, a Tropa de Choque da Polícia Militar mineira está impedindo que os moradores retornem para as suas casas utilizando cães e armas de contenção de multidões. Mais de 80 famílias estão proibidas de entrar em suas casas e muitas delas estão apenas com a roupa do corpo, entre os desabrigados encontram-se muitas crianças, doentes e idosos.  As famílias estão alojadas no antigo galpão da Pax de Minas, ao lado do Metrô Santa Efigênia, e até o momento a Prefeitura de Belo Horizonte não prestou nenhuma assistência além de fornecer um galpão abandonado.
         As autoridades presentes no local disseram que não liberarão a entrada dos moradores e que esperarão uma visita técnica de um engenheiro da prefeitura para liberar ou condenar o prédio.  Um alvará negativo significará o despejo ilegal das famílias que hoje tem sua residência nesta ocupação. Além de serem vítimas da falta de moradia, além de viverem precariamente devido à resistência da prefeitura em desapropriar o prédio em favor das famílias que nele vivem e assim reformarem o imóvel e dotá-lo de condições dignas, agora estas famílias estão ameaçadas por um despejo forçado e ilegal.
          O incêndio não é culpa das famílias que habitam o prédio, mas do descaso das autoridades que não desapropriam o imóvel e não o recuperam para dar dignidade aos moradores. O Estatuto das Cidades permite a desapropriação para interesse social. O Ministério das Cidades possui recursos para reformar o prédio. Por que não fazem isso e de fato garantam a segurança das famílias das Torres Gêmeas? O despejo não traz segurança para as famílias, apenas cria mais vítimas. Este incidente é uma oportunidade para que a Prefeitura de Belo Horizonte, o Estado de Minas Gerais e o Governo Federal tomem providências concretas no sentido de desapropriar o prédio e reformá-lo para que as famílias moradoras do mesmo tenham de fato segurança e paz.
          Contribua com a luta dos sem teto de Belo Horizonte, divulgue este comunicado e ajude as famílias a voltarem para suas casas. Se possível preste sua solidariedade levando ao local alimento e agasalhos. E os visite!

As famílias das Torres Gêmeas não aceitarão serem despejadas. Por isso lutam:

1. PELO RETORNO DAS FAMÍLIAS PARA SUAS CASAS.

2. PELA RETIRADA DA TROPA DE CHOQUE DA OCUPAÇÃO TORRES GÊMEAS

3. PELA DESAPROPRIAÇÃO DOS PRÉDIOS EM FAVOR DAS FAMÍLIAS QUE NELE VIVEM.

4. POR UMA COMISSÃO TÉCNICA DE VISTÓRIA COM A PARTICIPAÇÃO DE ENGENHEIROS INDICADOS PELOS MORADORES.

Belo Horizonte, 21 de setembro de 2010.

Associação dos Moradores das Torres Gêmeas
Brigadas Populares
Pastoral de Rua de Belo Horizonte
 
Contatos:

Célio: (31) 92548155 / Claudenice: (31) 88193052/
Guilherme: (31) 83129078/ Sandoval: (31) 87464209,
Prof. Dr. Fábio Alves, advogado das famílias das
Torres Gêmeas, cel.: (31)8765 1680       

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Preso ex-diretor geral do IEF de MG


"O IEF é a atuarquia do Governo do Estado com a função de promover o disciplinamento, a fiscalização, o licenciamento e o controle da exploração, utilização e consumo de matérias-primas oriundas das florestas, da pesca e da biodiversidade em geral, bem como coordenar e promover ações de preservação e controle, inclusive combate a incêndios e queimadas florestais e manejo sustentado dos recursos naturais.


No tocante à regularização ambiental, é responsável pelas atividades agrossilvipastoris. O IEF ainda é responsável pela fiscalização e disciplinamento do uso, da substituição e da supressão de recursos da flora e fauna silvestres, terrestres e aquáticas do Estado." (Fonte: http://www.ief.mg.gov.br/)

Numa clara expressão da realidade política brasileira, pudemos ver hoje mais um exemplo de suspeita de corrupção por parte de um cidadão que deveria agir de acordo com os princípios do órgão que ele dirigiu. De acordo com os dois parágrafos acima, retirados do site oficial do IEF (Instituto Estadual de Florestas), Humberto Candeias deveria ter por obrigação a responsabilidade ambiental e social de defender e promover o exercício da legislação ambiental brasileira. Afirmo isso, pois acredito que mesmo não ocupando mais o cargo de diretor geral do IEF, as acusações que sondam esse cidadão datam do período em que ele se encontrava em tal cargo. 

Humberto Candeias  foi preso hoje em Teófilo Otoni, município do Vale do Mucuri em MG sob as acusações de colaboração em esquema de desmatamento ilegal para produção de carvão, desvio de recursos da autarquia, cancelamento de multas, apropriação indevida de honorários, pagamento indevido de diárias, acordos judiciais ilegais e fraude em licitações.

Pouco né? Fico me perguntando se algum dia terei a satisfação de ver as coisas acontecerem seriamente nesse país, pois os próprios responsáveis pela fiscalização e defesa, isso não só de nossas florestas, mas de nossas vidas, de nossa educação, saúde, segurança, cultura e tudo mais, eles próprios são os algozes de nossos direitos, de nossas necessidades, de nossas esperanças de um dia poder ver, construir e desfrutar de uma sociedade menos imunda.

Me lembro ainda de uma tia no interior que cortou uma árvore na calçada dela porque estava estourando o concreto, quase foi presa por isso, teve que pagar uma multa e ainda plantar outra árvore no mesmo lugar que dentro de pouco tempo estourará o concreto novamente.

Não posso me esquecer também de um casal idoso que conheci em uma de minhas andanças pelas serras de Minas, que não podiam tirar uns mourões para cercar suas criações, se fizessem isso teriam problemas com a fiscalização, e sem os mourões estavam perdendo muitas de suas criações por conta de roubos e até mesmo porque os animais fugiam.

E então? Humberto Candeias, se for comprovada sua culpa, terá problemas com a fiscalização como esses casos que contei? Cumprirá pena pelas irregularidades cometidas (se comprovadas)?  E sua candidatura para deputado estadual, como ficará? Vamos presenciar mais uma vez um caso de corrupção em que o suspeito, ou acusado (diante da comprovação das fraudes) passará breve férias na cadeia e voltará à sociedade para desfrutar de seus 'bens'?

O IEF é uma autarquia extremamente necessária e, apesar de certas desandanças, é séria. Existem pessoas que ocupam cargos de confiança e que merecem essa confiança. A questão é que enquanto o povo assistir na grande mídia tais notícias, desligar a tv, deitar e dormir, assim continuará acontecendo.


Alecsandra Cunha

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pequenas e médias propriedades são responsáveis pela produção de alimentos.

 
Todas as disparidades apresentadas nas áreas rurais da América Latina resultam diretamente nos níveis de produtividade da agropecuária. Essa questão se coloca com um dos fundamentais agravantes que impede o crescimento amplo de todo âmbito agrícola da América Latina.

Cerca de 70% de todos os produtos que compõe a alimentação básica da sociedade é oriunda das pequenas e médias propriedades rurais, responsáveis por disponibilizar no mercado, sobretudo milho, feijão, batata, inhame e mandioca, além de uma restrita produção pecuária (carne, leite, frango entre outros). Apesar da extrema importância na produção de alimentos, essas propriedades detêm um modesto nível tecnológico que reflete em uma baixa produtividade, essa defasagem de tecnologia é proveniente entre outros motivos pelo desprovimento de auxílios financeiros e assessoria técnica.

Por outro lado, os grandes latifúndios de produção monocultora alcançam elevados índices de produtividade em culturas destinadas à exportação, como cana-de-açúcar, café, soja, trigo, cacau e frutas tropicais. Além desses gêneros alimentícios, em diversos países esse tipo de propriedade rural é responsável pela exportação de carne, principalmente bovina que abastece mercados da Europa e outros continentes.

Os latifúndios recebem incentivos do governo por meio de facilidades na obtenção de créditos, esse processo é oriundo de influências externas de países que querem que seus mercados internos sejam supridos por essas grandes propriedades rurais com os produtos que elas produzem. Outro tipo de pressão que favorece as grandes propriedades rurais são os representantes dos governos, como deputados, senadores em que alguns casos lutam pelos interesses desses produtores, denominados dentro do congresso de bancada ruralista.

fonte: http://www.brasilescola.com/geografia/agricultura-na-america-latina.htm

domingo, 27 de junho de 2010

Lei de MG permite destruir 70% da mata seca

A Assembleia Legislativa de Minas aprovou, em reunião extraordinária realizada na noite de quarta-feira, um polêmico projeto de lei que retira a chamada mata seca - na região norte do Estado - da área de preservação ambiental da Mata Atlântica. O projeto de lei 4.057/2009 - aprovado por 45 votos a favor e apenas 1 contra - permite o desmatamento de até 70% da área coberta pela vegetação, como prevê a legislação estadual, que é mais permissiva. Para virar lei, o projeto precisa ser sancionado pelo governador Antonio Anastasia (PSDB).
Os defensores da nova lei afirmam que o fim do rigor na proteção ambiental é necessário para o desenvolvimento da região e levará à criação de 250 mil postos de trabalho. Ambientalistas e estudiosos afirmam que serão beneficiados, na verdade, grandes fazendeiros. A região tem como principais atividades o cultivo de frutas irrigadas, a pecuária e a produção de carvão vegetal. Com uma área remanescente de 16,1 mil quilômetros quadrados (48% do total), de acordo com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a mata seca foi incluída na área de preservação da vegetação nativa da Mata Atlântica por decreto federal de 2008. Esse decreto proíbe o desmatamento de florestas nativas do bioma a não ser por motivo de utilidade pública e interesse social. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Copyright © 2010 Agência Estado. Todos os direitos reservados.
Disponível em: http://br.noticias.yahoo.com/s/19062010/25/manchetes-lei-mg-permite-destruir-70.html
Acesso em: 19/6/2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Código Florestal reduz área protegida




Dedicado aos "agricultores brasileiros", o projeto com mudanças no Código Florestal apresentado ontem em comissão especial da Câmara dos Deputados reduz de 30 para 7,5 metros a área mínima de preservação ambiental às margens dos rios.
A medida integra um pacote de flexibilização das atuais regras de proteção do ambiente, estabelecidas desde os anos 60. Elas vêm sendo descumpridas pela maioria dos 5,2 milhões de produtores rurais do País.  
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Caso a proposta do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) vire lei, caberá aos Estados definir quais áreas desmatadas devem ser recuperadas, inclusive com espécies exóticas. Na Amazônia, onde a proteção é maior, leis estaduais poderão reduzir para até 20% o porcentual de preservação das propriedades com vegetação de Cerrado. Por cinco anos a partir da vigência da lei, ficam suspensos novos desmatamentos, com exceção daqueles autorizados até essa data.
Em compensação, nesse período da moratória antecipada ontem pelo Estado, fica liberado o uso de áreas desmatadas até 22 de julho de 2008, sem risco de embargo. Essa é a data do decreto editado pelo presidente Lula em sua primeira tentativa de fazer valer o Código Florestal.
Por causa da pressão dos ruralistas, a aplicação de multas pela falta de registro das áreas de Reserva Legal e pelo desmatamento das Áreas de Preservação Permanente (APP) havia sido suspensa até junho de 2011.
Pelo projeto, há possibilidade de anistia completa aos desmatadores. As condições de recomposição serão definidas em planos estaduais em até cinco anos. Ou seja, as eventuais punições ficariam suspensas até o fim do mandato do sucessor de Lula.
Entre as mudanças mais relevantes, o projeto dispensa da exigência de Reserva Legal as propriedades com até 4 módulos. A medida varia para cada município, mas a maioria das propriedades do Sul e Sudeste deverá ficar isenta da preservação ambiental. O porcentual mínimo de 20% de proteção ambiental só seria exigido das parcelas de quem ultrapassarem os 4 módulos.
Entre as brechas, o projeto propõe estímulos aos produtores rurais que preservarem além das exigências da lei. Essas terras seriam convertidas em Cotas de Reserva Ambiental , um título público que poderá ser comercializado para compensar a Reserva Legal no mesmo bioma.
Argumentos. Os principais argumentos dos ruralistas na defesa de mudanças no código são o custo elevado da recuperação das áreas já desmatadas para uso do agronegócio, chamadas por eles de "consolidadas", e as consequências econômicas do suposto encolhimento da área dedicada à agricultura e à pecuária.
Segundo relatório, a redução de área ocupada pelo cultivo de alimentos e pela pecuária provocaria queda tanto no Produto Interno Bruto (PIB) como na arrecadação de impostos. A queda seria superior a R$ 22 bilhões.
Embora insista que ouviu argumentos de todos os lados, o relator apontou os agricultores como vítimas do código e criticou ONGs, a quem atribui uma espécie de conspiração contra o agronegócio do País.
"Assim vai o nosso agricultor, notificado, multado, processado, embargado na sua propriedade, mal arranca da terra o seu sustento e já se vê sustentando o fiscal ambiental, o soldado, o delegado, o oficial de Justiça, o promotor, o desembargador, o advogado, o banqueiro e a ONG que inspirou o seu infortúnio", escreveu Rebelo no relatório.


           fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100609/not_imp563613,0.php



Palavras minhas: e lá se vai o restinho do nosso Cerrado, matas ciliares, florestas e tudo mais... mas afinal, para o que elas servem né? Vamos derrubar tudo mesmo!! Triste, muito triste!!!!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Lua Nova no Polo Norte



Estava eu passeando pela net e me deparei com essa imagem, achei
tão linda que resolvi compartilhar....

   Fonte: http://geographicae.files.wordpress.com/2007/05/northpoleluanova.jpg