Lapinha da Serra - MG - Junho/2010

sábado, 29 de maio de 2010

Frei Gilvander é afastado por postura em defesa dos pobres como sujeitos e protagonistas de suas lutas

Para Frei Gilvander Luis Moreira, seu afastamente está relacionado às criticas feitas contra a mineradora MDR, comandada pela Vale
 
Jorge Américo,
 
Radioagência NP
 
Conhecido na região do Planalto, em Belo Horizonte (MG), pelo apoio aos movimentos que lutam por reforma agrária, o Frei Gilvander Luis Moreira assumirá a Reitoria de um seminário carmelita e deixará de ser Pároco da Igreja do Carmo. A transferência deverá ser oficializada na próxima semana. Segundo o Frei, seu afastamento está relacionado às criticas feitas por ele contra a mineradora MDR, comandada pela Vale.
O frei também revela que seu afastamento é resultado do enfrentamento às multinacionais. Segundo informa, essa postura teve início em 1984, quando ele iniciou uma campanha para a construção de cisternas na região do semi-árido brasileiro. As ações se intensificaram em 2008, quando assumiu a direção paroquial.
“Assumimos a proposta concreta de lutar pela preservação dos mananciais de Capão Xavier e da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Aí, tivemos que entrar duro numa luta contra a mineradora MDR, que atualmente pertence a Vale. A partir daí, surgiram perseguições e ameaças de morte. Incomodamos muita gente entre os poderosos.”
Segundo Frei Gilvander, a Paróquia enfrentou problemas financeiros porque muitos deixaram de contribuir com o dízimo, devido à sua aproximação com os movimentos sociais.
“Começamos a perceber que pessoas de classe média alta e empresários que participam da Paróquia foram gradativamente demonstrando um descontentamento em relação a nossa postura em defesa dos pobres como sujeitos e protagonistas de suas lutas. Foi então que recebemos a notícia de que o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira, havia enviado uma carta ao Vaticano, exigindo mudanças na Paróquia.”
De acordo com Frei Gilvander, caso seja confirmada a decisão do Conselho Provincial, a transferência se dará no dia 31 de maio.



Palavras minhas: mais uma vez podemos ver a tirania e hipocrisia da Igreja Católica, uma instituição que se diz acolhedora de todos 'os filhos de deus', simplesmente se mexe ao ver suas rendas diminuirem por causa de uma elite que quer manter o sistema como está. Diante desse acontecimento, o afastamento de Frei Gilvander de sua paróquia, é possível observar inúmeros interesses elitistas, por parte da própria mineradora, por parte da grande mídia e pela própria Igreja.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Internacionalização da Amazônia

ESSA CALOU OS AMERICANOS.!!!
SHOW DO MINISTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS



Essa merece ser lida, afinal não é todo dia que um brasileiro dá um esculacho educadíssimo nos americanos!
Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado
sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
"Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
"Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia
para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou
diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço."
"Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser
internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
"Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário
ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de
um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
"Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York,
como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
"Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas
mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
"Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.
"Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia
seja nossa. Só nossa!





Da minha parte, sem mais comentários além de: Até que enfim um político brasileiro abriu sua boca de forma correta...

Dano Incalculável

Se a "possível"  energia nuclear iraniana é uma ameaça ao mundo, o que dizer desse desastre ambiental no Golfo do México. Pior que ainda tentam desviar a atenção do mundo para um suposto atentando terrorista no "coração"  de  New York  forjado pelas agências de Obama pra desviar a atençao, não só do povo estadunidense -  patrio-nacionalismo exarcebado -  como do mundo inteiro. Isso sim, é um atentado terrorista, não só à humanidade, mas como a toda espécies do planteta.

 http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Desastre-incalculavel/

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Show da Banda Boneco de Pano

 
Os bonecos são uma das mais antigas expressões culturais da humanidade. Com o passar dos milênios, esses objetos culturais tomaram um caráter mais infantil servindo de brinquedo para muintas gerações. Dizem que na África surgiram os primeiros bonecos de pano. No Brasil, ganhou popularidade entre crianças pobres, tornando-se objeto da arte popular. Os bonecos trazem a alegria que é uma maneira de ver o mundo quando estamos em estado de graça, como fazíamos na nossa infância. Boneco de Pano é o nome da banda mineira de Belo Horizonte que, como o brinquedo, traz de forma poética a magia das cores através de sons e performances. Surgida em Novembro de 2007, a banda conta com a maturidade e musicalidade de seus artistas que como um "liquidificador inteligente" e multi-cultural, se utilizam de uma infinidade de gêneros e ritmos sem, no entanto, ser eclético. No repertório músicas como Que beleza (Tim Maia, Racional), Preta Pretinha (Novos Baianos), A Banda (Chico Buarque), Alegria, Alegria (Caetano Veloso).  (Texto retirado da comunidade oficial da banda: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=42537413 )


Galera de BH e região, show imperdível dessa banda fantásticaaaaaa!!! Os caras mandam muuuuito bem!!!! Posso assegurar que ninguém se arrepende de correr até o show deles!!!!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Nós, indígenas do Xingu, não queremos Belo Monte

Nós, indígenas do Xingu, não queremos Belo Monte :: Cacique Bet Kamati Kayapó, Cacique Raoni Kayapó Yakareti Juruna
  
Nós, indígenas do Xingu, estamos aqui brigando pelo nosso povo, pelas nossas terras, mas lutamos também pelo futuro do mundo
O presidente Lula disse na semana passada que ele se preocupa com os índios e com a Amazônia, e que não quer ONGs internacionais falando contra Belo Monte. Nós não somos ONGs internacionais.
Nós, 62 lideranças indígenas das aldeias Bacajá, Mrotidjam, Kararaô, Terra-Wanga, Boa Vista Km 17, Tukamã, Kapoto, Moikarako, Aykre, Kiketrum, Potikro, Tukaia, Mentutire, Omekrankum, Cakamkubem e Pokaimone, já sofremos muitas invasões e ameaças. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, nós índios já estávamos aqui e muitos morreram e perderam enormes territórios, perdemos muitos dos direitos que tínhamos, muitos perderam parte de suas culturas e outros povos sumiram completamente. Nosso açougue é o mato, nosso mercado é o rio. Não queremos mais que mexam nos rios do Xingu e nem ameacem mais nossas aldeias e nossas crianças, que vão crescer com nossa cultura.
Não aceitamos a hidrelétrica de Belo Monte porque entendemos que a usina só vai trazer mais destruição para nossa região. Não estamos pensando só no local onde querem construir a barragem, mas em toda a destruição que a barragem pode trazer no futuro: mais empresas, mais fazendas, mais invasões de terra, mais conflitos e mais barragem depois. Do jeito que o homem branco está fazendo, tudo será destruído muito rápido. Nós perguntamos: o que mais o governo quer? Pra que mais energia com tanta destruição?
Já fizemos muitas reuniões e grandes encontros contra Belo Monte, como em 1989 e 2008 em Altamira-PA, e em 2009 na Aldeia Piaraçu, nas quais muitas das lideranças daqui estiveram presentes. Já falamos pessoalmente para o presidente Lula que não queremos essa barragem, e ele nos prometeu que essa usina não seria enfiada goela abaixo. Já falamos também com a Eletronorte e Eletrobrás, com a Funai e com o Ibama. Já alertamos o governo que se essa barragem acontecer, vai ter guerra. O Governo não entendeu nosso recado e desafiou os povos indígenas de novo, falando que vai construir a barragem de qualquer jeito. Quando o presidente Lula fala isso, mostra que pouco está se importando com o que os povos indígenas falam, e que não conhece os nossos direitos. Um exemplo dessa falta de respeito é marcar o leilão de Belo Monte na semana dos povos indígenas.
Por isso nós, povos indígenas da região do Xingu, convidamos de novo o James Cameron e sua equipe, representantes do Movimento Xingu Vivo para Sempre (como o movimento de mulheres, ISA e CIMI, Amazon Watch e outras organizações). Queremos que nos ajudem a levar o nosso recado para o mundo inteiro e para os brasileiros, que ainda não conhecem e que não sabem o que está acontecendo no Xingu. Fizemos esse convite porque vemos que tem gente de muitos lugares do Brasil e estrangeiros que querem ajudar a proteger os povos indígenas e os territórios de nossos povos. Essas pessoas são muito bem-vindas entre nós.
Nós estamos aqui brigando pelo nosso povo, pelas nossas terras, pelas nossas florestas, pelos nossos rios, pelos nossos filhos e em honra aos nossos antepassados. Lutamos também pelo futuro do mundo, pois sabemos que essas florestas trazem benefícios não só para os índios, mas para o povo do Brasil e do mundo inteiro. Sabemos também que sem essas florestas, muitos povos irão sofrer muito mais, pois já estão sofrendo com o que já foi destruído até agora. Pois tudo está ligado, como o sangue que une uma família.
O mundo tem que saber o que está acontecendo aqui, perceber que destruindo as florestas e povos indígenas, estarão destruindo o mundo inteiro. Por isso não queremos Belo Monte. Belo Monte representa a destruição de nosso povo.
Para encerrar, dizemos que estamos prontos, fortes, duros para lutar, e lembramos de um pedaço de uma carta que um parente indígena americano falou para o presidente deles muito tempo atrás: ” Só quando o homem branco destruir a floresta, matar todos os peixes, matar todos os animais e acabar com todos os rios, é que vão perceber que ninguém come dinheiro ” .


* Cacique Bet Kamati Kayapó, Cacique Raoni Kayapó Yakareti Juruna, representando 62 lideranças indígenas da Bacia do Xingu
Fonte: Valor Econômico

Fonte: http://www.noticiasdaamazonia.com.br/11999-nos-indigenas-do-xingu-nao-queremos-belo-monte-cacique-bet-kamati-kayapo-cacique-raoni-kayapo-yakareti-juruna/

domingo, 25 de abril de 2010

sábado, 24 de abril de 2010

Delicadesas

"A beleza existe em todo lugar. Depende do nosso olhar, da nossa sensibilidade; depende da nossa consciência, do nosso trabalho e do  nosso cuidado. A beleza existe porque o ser humano é capaz de sonhar." Moacir Gadotti. BONITEZA DE UM SONHO: Ensinar-e-aprender com sentido.

Demógrafo mapeia áreas de risco em Bertioga, Guarujá e São Vicente



Morro ocupado por casas de alto padrão em São Vicente: riscos são grandes para todas as classes sociais. Foto: Antonio Scarpinetti. 


O demógrafo César Augusto Marques da Silva, do Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Unicamp, acaba de concluir uma radiografia das áreas de risco da Baixada Santista, mais especificamente nos municípios de Guarujá, Bertioga e São Vicente. Os resultados apontam para um importante risco existente na relação entre população e ambiente, principalmente se forem levadas em conta as mudanças climáticas ou alterações ambientais que ocorrem nas zonas costeiras e que são potenciais causadoras de inundações e de quedas de barreiras, sejam por desastre natural ou interferência do homem. No entanto, empiricamente, segundo Silva, é possível perceber que os riscos são diferentes para cada município. Em Guarujá, por exemplo, parte considerável da população vive em morros, enquanto em Bertioga isso não acontece porque existe uma planície litorânea bastante ampla, fazendo com que as pessoas fiquem mais próximas ao oceano. Consequentemente, elas se expõem mais aos riscos de inundações e também à elevação do nível do mar.
. Silva utilizou imagens do Google Earth em combinação com as malhas digitais por setor censitário (a menor unidade na qual os dados estão disponíveis) que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disponibiliza na internet. A partir dessas duas fontes de dados, foi possível mapear onde estavam as áreas de morro, de inundação e de elevação do nível do mar em uma escala local.
A pesquisa, que é resultado da dissertação de mestrado de Silva, apontou ainda que o vínculo das pessoas com o litoral é diferente. Quanto mais perto do mar, maior é a porcentagem de domicílios que não são próprios, ou seja, são alugados ou cedidos pelos empregadores. Trata-se, de acordo com o demógrafo, de um paradoxo, uma vez que a maioria daqueles que residem em seu próprio domicílio vivem em áreas de morros distantes do mar, com um grau maior de risco. “Nesse caso, quando o risco se torna um perigo, quando efetivamente acontece o problema, certamente a pessoa terá uma perda maior do que aquela que está próxima ao mar”, disse Silva.
Mas, por que essas pessoas continuam morando nessas áreas? Silva explica que em sua dissertação que uma das dimensões do risco é o conceito do “recalcamento”, proveniente da psicologia. Trata-se da ideia de negar o perigo. Inconscientemente, a sociedade nega o risco e, assim, se torna incapaz de planejar ações contra o perigo. Exemplo emblemático é morar em locais de encosta. Para reverter esse quadro, explica o pesquisador, a primeira coisa a ser feita é admitir que o risco existe. “É preciso planejá-lo antes que se torne um perigo”, disse.
Outro ponto importante citado pelo autor da pesquisa é verificar exatamente qual o vínculo das pessoas com os lugares onde moram, porque essas situações chegam a acontecer e ninguém menciona isso. Para o demógrafo, esse é um campo muito importante no qual a dinâmica demográfica exerce um papel fundamental, uma vez que a mobilidade é parte importante das relações das pessoas com o local, sejam elas turistas de passagem ou pessoas que mantêm relações permanentes. “Os moradores permanentes podem não estar necessariamente brigando para enfatizar que esses riscos existem”, ressaltou Silva.
O demógrafo recordou ainda que, no caso recente do Rio de Janeiro, pesquisas do Nepo já apontavam que existiam riscos que culminaram com a tragédia que causou dezenas de mortes. Investigações do Nepo e da Agência Metropolitana da Baixada Santista também apontam o mesmo quadro para o litoral paulista. Estudos existem, complementa o demógrafo, e o que precisa ser feito agora é planejar para que sejam adotadas medidas preventivas. “Como demógrafos, temos que mostrar como a dinâmica demográfica impacta nesse sentido”, disse.
As áreas próximas aos morros e aos corpos d´água – consideradas de maior risco –, são aquelas que em termos gerais abrigam famílias com menor nível de renda e escolaridade e têm estabelecida uma relação de posse com o domicílio. “Precisamos adotar medidas pelo menos adaptativas porque, nessas áreas, a possibilidade de acontecimento de eventos extremos é maior. Não podemos mais culpar a chuva e o morro”, acrescentou. O objetivo é perceber como a forma de ocupação urbana nesses locais interfere no contexto.
Segundo Silva, o remanejamento das pessoas é fundamental. Muitas delas não estão ali por escolha própria – são, invariavelmente, pessoas de baixa renda e que não têm melhores condições de moradia, mas que criaram um vínculo com o lugar. “Não basta transferi-las. É necessário levar em consideração que elas têm uma história de vida e vínculo com o local”, argumentou.
Silva cita como exemplo o Guarujá, onde existem setores muito pobres em áreas de morro próximos ao mar coexistindo ao lado de setores mais ricos. Essa característica de estar no entorno de setores mais abastados não necessariamente fará com que haja uma prevenção mais eficaz contra os riscos. “Quando se fala de litoral, é importante lembrar que nem sempre as pessoas estão ali. Se o evento acontecer em uma segunda-feira, certamente atingirá um número menor de pessoas do que num fim de semana de verão. Portanto, é necessário conhecer a estrutura dessa população flutuante, uma vez que ela é diferenciada”, esclareceu.
Clima
Uma das coisas que os climatologistas estão apontando, com relação às zonas climáticas, é que o tempo de retorno de eventos muito extremos vem diminuindo. Para Silva, é complicado conseguir inferir diretamente que o fenômeno é resultante de mudanças climáticas. “Ainda que os modelos de previsão do tempo estejam sendo atualizados constantemente, será difícil ver as médias pluviométricas mudando”, alertou.
Fenômenos naturais observados mais recentemente em Angra dos Reis, Rio de Janeiro,Niterói e Florianópolis, além do Haiti e Chile, mostram a importância das regiões próximas ao Oceano na relação com as mudanças climáticas. Um ponto que a dissertação de Silva enfatiza é a necessidade de pensar a dinâmica demográfica desses locais porque esse é um ponto importante para a configuração do risco ambiental ali existente, e, também, para a capacidade de resposta dos indivíduos frente às adversidades.
Para o pesquisador, ainda que fatos como os ocorridos no Rio de Janeiro sejam totalmente indesejáveis, é importante que se reforce o debate sobre a situação nesse momento. Porque, se por um lado incentiva as discussões e as pesquisas, por outro confunde as pessoas. “Será que todas as áreas de encosta estão expostas a esses riscos?”, indagou Silva. Ao contrário da mídia, diz o autor, os estudos científicos não precisam vender argumentos. “Eles precisam construí-los de forma lógica e mostrar o que está por trás dos fatos concretamente, uma vez que dão a dimensão das causas. É necessário conhecer e estudar os fenômenos sociais”, disse. Para o pesquisador, parte da mídia tenta cobrir isso, no entanto, é importante que a questão da memória seja mais permanente, porque esse tipo de problema vai continuar acontecendo. “É preciso aproveitar esse período em que os eventos não acontecem com frequência para que os órgãos públicos tomem as devidas providências. Pode ser que no próximo verão nada disso aconteça, mas também pode ser muito pior. Temos que pensar quem são essas populações, o que elas fazem, porque residem nesses locais e qual a mobilidade delas”, acrescentou.
Na pesquisa de doutorado, o olhar de Silva vai se voltar para outros municípios, mais especificamente para Caraguatatuba (SP), que tem uma previsão de expansão urbana muito forte devido às obras da Unidade de Tratamento de Gás (UTGCA). “Os riscos no litoral norte paulista tendem a se amplificar, principalmente porque a faixa de litoral é bastante estreita. Nossa intenção é incentivar a adoção de políticas públicas mais conscientes, que sejam mais relacionadas à realidade e que considerem criticamente a existência dos diversos riscos ambientais”, concluiu.
FICHA TÉCNICA
Pesquisa: “População e riscos às mudanças climáticas em zonas costeiras da Baixada Santista: um estudo sócio-demográfico sobre os municípios de Bertioga, Guarujá e São Vicente”
Autor: César Augusto Marques da Silva
Orientador: Roberto Luiz do Carmo
Unidade: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)
Financiamento: Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Trilheiros do Sul

Os eventos dos Trilheiros do Sul tem o custo dividido entre os membros sempre visando a participação de todos e um custo acessível. As atividades são sempre conduzidas por pessoas que conhecem os lugares visitados e o grupo tem uma grande preocupação com a segurança dos seus membros e também com a degradação ambiental causada pela presença do homem em meio a natureza.  (Texto retirado do site oficial do grupo):



Para quem curte um exerciciozinho a mais!!!! vale a pena!  Fabiano Riffatti, um muitíssimo especial e grande amigo meu, faz parte da Comissão Organizadora do grupo e ficará feliz em recebê-los por lá, em breve me juntarei à eles também. Visitem o site, fotos, matérias, dicas e muito mais estão disponíveis.

Alecsandra Cunha